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Vídeo mostra contradições em acareação sobre papéis vendidos pelo Banco Master ao BRB

Um vídeo divulgado nesta semana revelou contradições importantes durante uma acareação entre Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB). Os dois deram versões diferentes sobre a origem das carteiras de crédito negociadas entre as instituições, operação que está no centro de uma investigação da Polícia Federal e do Banco Central.


A acareação ocorreu no Supremo Tribunal Federal (STF) e faz parte do inquérito que apura possíveis irregularidades financeiras, incluindo a venda de créditos sem lastro claro e falhas na gestão e na análise de risco das operações.


Onde está a contradição


O principal ponto de conflito foi a resposta a uma pergunta-chave: quem originou os créditos vendidos ao BRB?


Daniel Vorcaro afirmou que o BRB sabia que os papéis não haviam sido originados pelo Banco Master, mas por empresas terceiras. Segundo ele, o banco apenas intermediava a venda e essa informação teria sido comunicada desde o início da negociação.


Já Paulo Henrique Costa apresentou outra versão. Ele disse que seu entendimento era de que os créditos tinham sido originados pelo próprio Banco Master, repassados a terceiros e, depois, revendidos ao BRB. Para o ex-presidente, a origem só passou a ser questionada meses depois, quando inconsistências começaram a aparecer na documentação.


Documentos e análise de risco


Outro ponto sensível foi a documentação que acompanhava as operações. Vorcaro declarou que, do ponto de vista dele, a origem dos créditos não era determinante, já que a análise do BRB deveria se concentrar no risco final do cliente.


Paulo Henrique, no entanto, rebateu a avaliação. Segundo ele, a identificação da origem dos créditos é um elemento essencial para a análise de risco e para a conformidade das operações. Ele afirmou que as planilhas enviadas continham dados técnicos, como valores, prazos e CPFs, mas não deixavam claro quem havia originado os contratos, o que pode ter contribuído para o impasse.


Investigação e valores bilionários


As operações investigadas envolvem cifras bilionárias. Estima-se que o BRB tenha adquirido cerca de R$ 12 bilhões em ativos, volume que representava uma fatia significativa do banco. As suspeitas incluem a negociação de ativos considerados problemáticos, o que teria colocado em risco a saúde financeira da instituição pública.
O caso ganhou ainda mais repercussão após a liquidação extrajudicial do Banco Master, em novembro de 2025, decisão tomada pelo Banco Central diante das irregularidades identificadas.


Próximos passos


A investigação segue em andamento no STF, com novos depoimentos, análises técnicas e cruzamento de documentos. As versões contraditórias apresentadas por Vorcaro e pelo ex-presidente do BRB devem pesar nas próximas fases do inquérito e podem resultar em responsabilizações administrativas e penais.


A divulgação do vídeo da acareação ampliou o debate público sobre governança bancária, fiscalização e uso de recursos em instituições financeiras, especialmente quando envolve bancos públicos.

Fonte: G1

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