Prefeito de Ielmo Marinho é preso em flagrante ao tentar ocultar dinheiro e celular durante operação policial

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte prendeu em flagrante, nas primeiras horas desta quarta-feira (28), o prefeito de Ielmo Marinho, Fernando Batista Damasceno (MDB), conhecido como Fernando de Canto de Moça, durante a Operação Securitas — ação deflagrada para desarticular uma organização criminosa suspeita de intimidar adversários políticos e praticar diversos crimes no município e região.
Segundo a polícia, o gestor foi detido no momento em que tentava ocultar provas cruciais à investigação, arremessando dinheiro e um celular para fora de sua residência enquanto agentes cumpriam mandados judiciais.
Operação Securitas: o que motivou a ação policial
A Operação Securitas, coordenada pela Polícia Civil potiguar, investiga uma organização criminosa com núcleo armado e atuação político-administrativa, que teria sido estruturada para intimidar opositores e consolidar poder no cenário local. A corporação aponta a possível participação de ocupantes de mandato legislativo e de um policial militar no grupo, além do prefeito como figura central da suposta quadrilha.
As diligências ocorreram não apenas em Ielmo Marinho, mas também em São Gonçalo do Amarante, Natal e Parnamirim, municípios da Região Metropolitana de Natal, com o cumprimento de sete mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça. O objetivo principal foi a coleta de elementos probatórios para esclarecer crimes como porte ilegal de arma de fogo, constituição de milícia privada e organização criminosa.
Entre os itens alvos de apreensão estavam documentos, valores, armas e dispositivos eletrônicos, como celulares, computadores e mídias que podem conter informações relevantes para as investigações.
Tentativa de ocultar provas e prisão em flagrante
De acordo com a Polícia Civil, o prefeito foi flagrado tentando esconder provas durante as buscas. No momento em que os agentes entraram no imóvel para cumprir o mandado, ele teria arremessado dinheiro e um celular para o exterior da casa, em uma tentativa de impedir que os itens fossem apreendidos. Essa atitude motivou a prisão em flagrante por obstrução de investigação e ocultação de provas.
A legislação penal brasileira trata como crime a ocultação, destruição ou adulteração de provas quando há intenção de embaraçar investigações em curso, o que, no caso, agravou a situação jurídica do gestor. A Polícia não divulgou ainda o valor exato do dinheiro ou detalhes sobre o conteúdo dos aparelhos arremessados.
Contexto da investigação
Segundo as próprias autoridades, as investigações que deram origem à Operação Securitas começaram em 2023, depois de relatos de ações suspeitas envolvendo a intimidação de políticos adversários e a possível presença de segurança armada dentro das dependências da Câmara Municipal de Ielmo Marinho. Na ocasião, teriam sido apreendidas armas, inclusive de calibres restritos como .40 e .45, além de munições e outros materiais relacionados ao grupo investigado.
A Polícia Civil considera que a estrutura criminosa functionava com um núcleo armado e capilaridade político-administrativa, o que reforça a gravidade das acusações e a necessidade de aprofundar a investigação para identificar todos os envolvidos.
Repercussão política e jurídica
Até o momento, não foram divulgadas declarações oficiais da defesa do prefeito ou de sua equipe jurídica. Também não há informações públicas sobre medidas cautelares, como afastamento temporário do cargo ou revelações adicionais sobre a participação de outros investigados citados no inquérito.
A prisão de um chefe do executivo municipal em pleno mandato — especialmente em flagrante por obstrução de investigação — pode desencadear uma série de desdobramentos legais, incluindo ações penais, pedidos de afastamento do cargo e até processo de cassação por quebra de decoro e conduta incompatível com o exercício da função pública.
O que isso significa para Ielmo Marinho
Ielmo Marinho, município da região metropolitana de Natal com forte presença política local, agora vive um momento de instabilidade institucional após a prisão de seu principal representante. Com o avanço das apurações, a população e as instituições acompanharão atentamente as próximas fases da operação e seus efeitos sobre a administração municipal.
fonte: Tribuna do Norte













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