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Acidente paralisa perfuração na Foz do Amazonas e atividades ficam suspensas por até 15 dias

Um acidente com vazamento de fluido de perfuração interrompeu temporariamente as operações de perfuração da Petrobras na Bacia da Foz do Amazonas, no litoral do estado do Amapá. A paralisação deve se estender por 10 a 15 dias, segundo comunicado oficial da petroleira.

O que aconteceu

Durante uma operação de rotina no poço exploratório da Margem Equatorial — uma área em águas profundas considerada promissora para potenciais reservas de petróleo — a equipe percebeu uma queda no nível do fluido de perfuração nos tanques da sonda, indicando que parte do material estava se perdendo no mar.

Após uma primeira inspeção que não mostrou anormalidades na superfície, foi acionado um ROV (veículo subaquático operado remotamente). O equipamento identificou o vazamento a cerca de 2.700 metros de profundidade, com descarga direta para o oceano.

O volume estimado de fluido perdido foi de aproximadamente 14,945 metros cúbicos — o equivalente a quase 15 mil litros, segundo a Petrobras. A descarga foi interrompida assim que detectada.

Impactos e resposta

Com base nas informações divulgadas pela empresa e por veículos especializados, as operações de perfuração foram suspensas imediatamente para permitir identificação da causa, reparos e avaliação de todos os procedimentos de segurança. A Petrobras informou que o material utilizado é biodegradável e está dentro dos limites de toxicidade permitidos, o que minimiza o potencial de danos ambientais, embora o episódio ainda seja analisado por autoridades e especialistas.

O tempo estimado para retorno das atividades — entre dez e quinze dias — depende da conclusão de inspeções, correções técnicas e reabastecimento dos sistemas de perfuração.

Contexto da operação na Foz do Amazonas

A perfuração na bacia da Foz do Amazonas representa um novo capítulo na estratégia de exploração de petróleo em águas profundas no Brasil. A região vinha recebendo investimentos e atenção por parte da Petrobras desde que a empresa obteve licença ambiental do Ibama para perfurar o bloco FZA-M-59 no final de 2025, após anos de discussões, estudos e exigências regulatórias.

A expectativa da estatal é que a perfuração exploratória, se bem-sucedida, possa fornecer informações geológicas cruciais que indiquem potencial de reservas em escala econômica — um passo que poderia colocar a Foz do Amazonas como uma nova fronteira energética do país nos próximos anos.

Debates ambientais e legais

A operação, porém, não está isenta de controvérsias. O processo de licenciamento enfrentou resistência de órgãos ambientais, comunidades tradicionais e o Ministério Público Federal (MPF), que chegou a solicitar judicialmente a suspensão das atividades alegando falta de consulta prévia às populações indígenas e quilombolas e ausência de estudos completos sobre dispersão de materiais em caso de acidentes. A Petrobras contestou essas alegações, afirmando que cumpriu todas as etapas formais e realizou reuniões com os diversos agentes envolvidos.

O que vem a seguir

O foco agora se volta à investigação técnica do acidente, correção dos problemas detectados e à retomada da perfuração com todas as garantias de segurança operacional e ambiental. O incidente também deve reforçar os debates sobre os riscos e desafios de explorar petróleo em ambientes marinhos extremamente sensíveis como o da Foz do Amazonas.

finte: CNN Brasil

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