Fone de ouvido pode causar infecção? Especialistas explicam
Seja no trabalho, atividades físicas ou lazer, usar fone de ouvido se tornou um hábito entre os brasileiros. No entanto, o uso diário do acessório levanta uma dúvida: o fone de ouvido pode causar infecções auditivas?
A resposta, segundo especialistas, é simples: o problema não está exatamente no fone em si, mas na forma como ele é usado e higienizado. Isso porque, quando não há cuidados básicos de limpeza e tempo de uso, os fones podem favorecer condições que aumentam o risco de inflamações e infecções no canal auditivo.
Como os fones de ouvido podem propiciar infecções?
O ouvido possui um sistema natural de proteção. A produção de cerúmen, popularmente chamado de cera, ajuda a impedir a entrada de sujeira e microrganismos. No entanto, o uso prolongado de fones, principalmente aqueles que ficam dentro do ouvido, pode alterar esse equilíbrio.
Isso acontece porque o acessório cria um ambiente mais fechado, quente e úmido, o que pode favorecer a proliferação de bactérias e fungos.
“Os modelos intra-auriculares podem provocar umidade, o que pode favorecer infecção bacteriana e fúngica. Podem causar também traumas na pele do conduto auditivo externo e, consequentemente, otite externa. Eles podem ainda empurrar a cera para o interior do canal auditivo externo e levar à produção de rolha de cerúmen que ocasiona tamponamento do canal externo e sensação de surdez”, detalha Saramira Bohadana, otorrinolaringologista do Grupo Santa Joana.
Os modelos do tipo “in-ear”, que ficam inseridos no canal auditivo, são os que mais exigem atenção. Isso não significa que necessariamente causam infecção, mas o uso contínuo e sem limpeza adequada aumentam essas chances.
Já os fones maiores, que ficam apoiados sobre a orelha ou ao redor dela, tendem a apresentar risco menor nesse sentido, porque não entram diretamente no canal auditivo. Ainda assim, também precisam de limpeza regular, principalmente nas espumas que ficam em contato com a pele, onde suor e sujeira podem se acumular.
O que evitar ao usar fones de ouvido?
Independentemente do modelo, deve-se evitar o compartilhamento desse tipo de acessório. “O compartilhamento pode facilitar que bactérias como o Staphylococcus ou fungos entrem direto para o canal, aumentando a chance de otites externas. No entanto, este risco não é elevado. Ele aumenta se houver alguma lesão na pele do canal. Uma dica prática é higienizar regularmente os fones com álcool ou vinagre de álcool”, explica Bruno Borges de Carvalho Barros, otorrinolaringologista pela Unifesp e especialista em otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia.
Também é importante evitar usar fones de ouvido por muitas horas seguidas. A Organização Mundial da Saúde e otorrinolaringologistas sugerem a regra do “60 por 60”. A recomendação é que o uso não ultrapasse 60 minutos contínuos, com o volume configurado em até 60% da capacidade máxima do aparelho. Pausas de pelo menos dez minutos a cada hora de uso permitem que o ouvido “respire” e que a pressão sonora seja aliviada, reduzindo significativamente as chances de inflamações e fadiga auditiva.
“O ideal é até uma hora por dia em volume moderado. Isso diminui a chance de lesão auditiva, além de reduzir a compressão da pele do canal e ventilar a região. É muito comum a queixa de dor local se o uso é prolongado”, acrescenta Borges.
Além disso, sinais como dor, coceira intensa, sensação de ouvido tampado ou saída de secreção não devem ser ignorados. Esses sintomas podem indicar irritação ou infecção e precisam ser avaliados por um profissional de saúde.
Como limpar os fones
A recomendação mais comum é limpar a parte externa com um pano macio levemente umedecido com álcool 70% ou outro produto indicado pelo fabricante. Nos modelos com ponteiras de silicone, é possível removê-las e lavá-las com água e sabão neutro, desde que estejam completamente secas antes de recolocá-las no aparelho. A limpeza deve ser feita regularmente.
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